Para que serve a Ortografia?
A Ortografia, palavra que pela etimologia significa escrita correta, é a parte da Gramática que indica como devem ser grafados os vocábulos de uma língua. Ela estabelece normas e define a forma correta de cada palavra, incluindo o uso do hífen, dos acentos e sinais gráficos, da pontuação e das letras maiúsculas. Essas normas existem porque a escrita não é puramente fonética, isto é, para escrever corretamente uma palavra não basta transcrever o que se ouviu, pois nem sempre a uma só letra corresponde um só fonema (som). Além disso, levando-se em conta as diferenças de pronúncia de cada região, existiriam, num mesmo país, várias formas para uma mesma palavra. Assim, existe um padrão que leva em conta a fonética, a tradição e a etimologia. A Ortografia é regulamentada por leis, fruto de acordos ortográficos. Para se conseguir um bom nível ortográfico seria ideal conhecer a origem das palavras. No entanto, como isso nem sempre é possível, pode-se contar com a memória visual, treinada com bastante leitura e redação. Também é importante saber algumas regras que podem resolver boa parte das dificuldades.
A crase é um acento gráfico?
Não. A crase não é um acento gráfico. Palavra que em grego significa fusão, crase é justamente o resultado da fusão ou união de duas vogais iguais e contíguas. Ao falarmos, é normal acontecerem crases: Estava aberto o caminho Em casos como o do exemplo acima não se registra o sinal gráfico da crase. É que na língua portuguesa só se assinalam as crases da preposição a com o artigo a/as; com os pronomes demonstrativos a/as; e com a vogal inicial dos pronomes demonstrativos – aquele, aquela, aquilo. O sinal gráfico que marca a crase (`) chama-se acento grave.
O que é uma oração subordinada adverbial?
A oração subordinada adverbial é aquela que equivale a um advérbio e desempenha, em relação à oração principal, a mesma função que um advérbio desempenharia, ou seja, a função de adjunto adverbial. Por exemplo:
Despediram-se depois que almoçaram.
A oração depois que almoçaram equivale à locução adverbial depois do almoço e desempenha em relação à oração principal a função de adjunto adverbial. As orações subordinadas adverbiais ligam-se, normalmente, à oração principal por meio de conjunções subordinativas: porque, quando, para que...
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1. Estrutura da oração subordinada adverbial
A oração subordinada adverbial é introduzida por conjunção subordinativa, podendo vir antes, depois ou mesmo no meio da oração principal.
| O sol já ia alto quando ele acordou. |
| O sol já ia alto – oração principal quando – conjunção subordinativa ele acordou – oração subordinada adverbial |
Atenção: a uma mesma oração principal também podem estar subordinadas várias orações adverbiais:
| Enquanto esperava, o cliente fumava um cigarro para que ninguém percebesse seu nervosismo. |
| Enquanto esperava – oração subordinada adverbial o cliente fumava um cigarro – oração principal para que ninguém percebesse seu nervosismo – oração subordinada adverbial |
Classificação das orações adverbiais
As orações adverbiais classificam-se de acordo com as circunstâncias que exprimem. A Nomenclatura Gramatical Brasileira (NGB) reconhece nove tipos de oração adverbial:
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Oração subordinada adverbial causal
É aquela que expressa uma relação de causa e efeito. A causa ou motivo que desencadeia algo é expresso pela oração subordinada. E o efeito, resultado da causa, é expresso pela oração principal.
| A lei não foi votada | porque não havia quórum. |
| Oração principal (efeito) |
Or. sub. adv. causal (causa) |
No exemplo acima, a oração subordinada porque não havia quórum indica a causa. O efeito está expresso pela oração principal A lei não foi votada. As orações adverbiais causais vêm introduzidas pelas conjunções e locuções conjuntivas causais: porque, visto que, já que, uma vez que, como:
| Como não conhecesse ninguém, saiu logo da festa. |
Oração subordinada adverbial comparativa
É aquela que expressa uma comparação (de igualdade, superioridade ou inferioridade) em relação
à oração principal. Vem introduzida pela conjunção como, ou pelas estruturas tão... como,
tanto... quanto, mais que, menos que:
| "Eu deixo a vida como deixa o tédio Do deserto o poento caminheiro (...)" (Álvares de Azevedo) |
Os elementos de relação das orações adverbiais comparativas podem estar separados. Uma parte se encontra na oração principal e outra introduz a subordinada:
| Ele escreve tão bem quanto lê. |
Atenção: uma particularidade das adverbiais comparativas é a elipse do verbo:
| Vocês faltaram mais do que nós. elipse: faltamos |
Oração subordinada adverbial concessiva
É aquela que se manifesta como um obstáculo, mas não impede a realização do que é proposto pela oração principal:
| Em alguns momentos a concessão não é apenas uma oração subordinada adverbial, como nos casos em que se desculpa a mentira de amigos. |
| Embora estivesse com dores, | participou do campeonato. |
| Or. sub. adv. concessiva | Oração principal |
A idéia expressa pela oração principal – participou do campeonato – se mantém, apesar da dificuldade que a oração subordinada impõe: estar com dores. As orações subordinadas adverbiais concessivas vêm freqüentemente introduzidas pela conjunção embora, e também pelas locuções conjuntivas apesar de que, ainda que, mesmo que, se bem que, posto que:
| "Foram amigos até a morte, posto que Oliveira não freqüentasse a casa de Magalhães." (Machado de Assis) |
Oração subordinada adverbial condicional
É aquela que impõe uma condição em relação à idéia formulada pela oração principal. Pode ser uma condição para que o fato se realize:
| Devolveremos seu dinheiro, se você não ficar satisfeito. |
Pode também impor uma condição para que o fato não se realize:
| Cumprirei minha promessa, a menos que fique doente. |
As orações subordinadas adverbiais condicionais vêm freqüentemente introduzidas pelas conjunções se ou caso, e também pelas locuções conjuntivas contanto que, desde que, a menos que, salvo que, com a condição de que:
| "Valeu a pena? Tudo vale a pena Se a alma não é pequena." (Fernando Pessoa) |
Oração subordinada adverbial conformativa
É aquela que expressa conformidade ou adequação da idéia da oração principal em relação à subordinada, ou seja, o que é proposto na oração principal está de acordo com o que diz a oração subordinada:
| Tomou o remédio | conforme prescrevia a receita. |
| Or. principal | Or. sub. adv. conformativa |
As orações subordinadas adverbiais conformativas vêm geralmente introduzidas pelas conjunções conforme e como, ou, menos freqüentemente, pelas conjunções segundo e consoante:
| Como ele mesmo afirma, sua situação é difícil. |
Oração subordinada adverbial final
É aquela que expressa finalidade, o objetivo daquilo que é proposto pela oração principal:
| Estudarei muito | para passar de ano. |
| Or. principal | Or. sub. adv. final |
A idéia da oração subordinada para passar de ano expressa o objetivo da idéia formulada pela oração principal Estudarei muito. As orações subordinadas adverbiais finais vêm geralmente introduzidas pela locução conjuntiva para que, mas também podem ser introduzidas por a fim de que, com o objetivo de que, porque:
| A fim de que vençam a partida, todos devem jogar bem. |
Oração subordinada adverbial consecutiva
Este tipo de oração também estabelece uma relação de causa/efeito, como as adverbiais causais. A diferença é que, neste caso, a subordinada expressa a conseqüência, o efeito, enquanto a causa é indicada pela oração principal:
| Corri tanto | que fiquei sem fôlego. |
| Or. principal (causa) |
Or. sub. adv. consecutiva (efeito) |
A oração subordinada que fiquei sem fôlego expressa o efeito, a conseqüência do que é proposto pela oração principal Corri tanto. As adverbiais consecutivas vêm introduzidas pela conjunção que (geralmente antecedida por tanto, tão, tamanho...) e pelas locuções de forma que, de modo que, de sorte que:
Esses elementos de relação entre as orações freqüentemente vêm separados, um integrado à oração principal, outro introduzindo a oração subordinada:
| Seu olhar era tão profundo que mal pude suportá-lo. |
Oração subordinada adverbial proporcional
É aquela que expressa uma proporcionalidade, uma gradação em relação à idéia formulada pela oração principal:
| À proporção que o tempo passa, | nós melhoramos. |
| Or. sub. adv. proporcional | Oração principal |
As orações subordinadas adverbiais proporcionais são introduzidas pelas conjunções conjuntivas à proporção que, à medida que, ao passo que, e pelas estruturas tanto mais... tanto menos, quanto menos... tanto mais, cujos elementos vêm separados, uma parte na oração principal, outra na subordinada:
| Quanto mais eu leio, | mais aprendo. |
| Or. sub. adv. proporcional | Oração principal |
Oração subordinada adverbial temporal
É aquela que exprime uma circunstância de tempo (anterioridade, simultaneidade, posterioridade) em relação à idéia formulada pela oração principal:
Estarei em casa Or. principal |
quando você chegar. Or. sub. adverbial temporal |
As adverbiais temporais vêm geralmente introduzidas pelas conjunções quando, enquanto, mal,
e pelas locuções conjuntivas assim que, desde que, logo que, depois que, antes que:
| "Enquanto os homens exercem seus podres poderes, motos e fuscas avançam os sinais vermelhos." (Caetano Veloso) |
| Raquel divertia-se pregando peças nos outros. Or. sub. adv. modal Moro onde não mora ninguém. Or. sub. adv. locativa |
2. Oração subordinada adverbial reduzida
As orações subordinadas adverbiais podem também ocorrer na forma reduzida, isto é, sem conjunção e com o verbo em uma das formas nominais: infinitivo, particípio ou gerúndio.
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